quarta-feira, 10 de julho de 2013

Carreira Pública

Você está pensando em seguir pela carreira pública? Já vem estudando para concursos? Possui dificuldade com os estudos?

Entrevistei Sandro H. Chimisso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e perguntei a ele as principais dicas para ser aprovado em um concurso tão concorrido. Sandro foi aprovado em concursos como os de Auditor e Analista da Receita Federal do Brasil (2009), BACEN (2009), MPE/RS (2008), REFAP, entre outros. Atualmente exerce a função de Chefe de Setor de Importação do Porto Seco de Foz de Iguaçu. Segundo ele, não há milagre: existe foco, dedicação, estudo e equilíbrio emocional. Confira como foi a nossa conversa:


1)      Qual foi o teu interesse em realizar um concurso público? Da onde veio esta ideia?
Eu sempre tive essa ideia lá no fundinho da minha cabeça, desde os tempos da graduação. Mas também tinha vontade de ser empresário ou trabalhar numa grande empresa. Entretanto, com o passar do tempo, vi que trabalhar em uma grande empresa não era algo que fazia muito o meu perfil. Quando me formei entrei direto no mestrado, e ao acabar o mestrado não havia grandes possibilidades de emprego. Participei de algumas seleções de trainee, em algumas fui até a fase final, mas acabava morrendo na praia. Quando faltavam alguns meses para finalizar o mestrado apareceu uma desafiante proposta de emprego em uma nova faculdade particular, aceitei-a. Mas isso não me satisfazia muito, ter que coordenar cursos, dar aulas, escrever artigos,... Achava tudo isso um saco. Depois de quase 3 anos nessa função, fui demitido e vi que era hora de mudar, de tomar novas decisões. Cheguei a cogitar um doutorado, mas isso ia fazer com que mergulhasse mais ainda na área acadêmica. Abandonei essa ideia. Tentar ser um empresário nessa época também não era uma opção, não tinha nenhuma ideia de que negócio fazer, nenhuma tradição ou experiência na área. Meus pais são professores e servidores públicos, não podiam me ajudar nesse sentido. Resolvi não arriscar. Foi então que estudar para concursos pareceu ser a coisa mais natural a fazer. Era algo que sempre pensei, e tinha facilidade para os estudos. A questão era somente se teria disposição para estudar o necessário para passar no concurso almejado. Uma pessoa que sempre me incentivou a fazer concurso foi meu falecido avô, vô Ernesto. Durante a graduação, mestrado e mesmo trabalhando ele sempre me dizia: “meu neto, porque tu não fazes um concurso???”. E sempre que ele falava eu ficava com isso na cabeça. Com certeza ele foi uma influência na minha decisão.

2)      Quais as sugestões que você dá para quem está se dedicando a um concurso?
Muito estudo, muito estudo e mais muito estudo, rsrsrs. Não tem segredo! Pra passar em um bom concurso tem que estudar muito mesmo, e quanto mais se estuda mais se aprende a estudar. Com o tempo vemos o que funciona com a gente. Tem aqueles que aprendem melhor sozinhos, lendo. Outros absorvem melhor o conteúdo assistindo aulas, escutando gravações, etc. Tem gente que gosta de fazer resumos, outros só marcam partes importantes nos livros e as relêem de tanto em tanto. Conheça as suas fraquezas e as suas facilidades. Veja o que funciona e o que não funciona pra ti. Se não estás acostumado a estudar, ter essa noção pode levar algum tempo. Pense nisso como um investimento.

3)      É importante manter o foco num concurso só ou é melhor fazer mais de um?
Eu acredito que é importante focar em pelo menos uma área. Por exemplo, concursos da área fiscal, ou concursos da área jurídica, ou concursos para a área econômica e área bancária, ou concursos para agências reguladoras e assim por diante. Como concursos para a mesma área costumam ter matérias semelhantes, fica mais fácil de organizar-se dessa forma, mantendo o foco em alguma área específica. Acho que tentar todos indiscriminadamente não é uma boa estratégia.

4)      Que dicas deixas para administração do tempo de estudo?
Isso vai depender da disponibilidade de tempo de cada um. O importante é manter uma rotina diária e uma organização de estudo das disciplinas que serão exigidas no certame em foco. Tem que se estudar todo o conteúdo previsto para o edital do concurso, e para isso necessita-se de tempo. Mas também há que se reservar tempo para descanso, uma cabeça cansada não aprende direito. É importante dividir o estudo por disciplinas, a fim de cobrir todo o edital. A atenção que será dada para cada disciplina vai depender de vários fatores, entre eles: o tamanho dela, o peso que ela terá na prova e a dificuldade que se tem de aprendê-la/assimilar. De nada adiante gabaritar uma matéria e não fazer o mínimo em outra. Isso é causa de eliminação. Tentar manter hábitos saudáveis é importante. Fazer as refeições diárias, praticar alguma atividade física todo dia, nem que seja por 30 minutos. Fazer uma planilha para organizar os compromissos da semana, com horários de estudo e demais atividades, anotar a quantidade de horas estudadas de cada matéria, assim dá pra saber se há alguma matéria sendo deixada de lado (tendemos a fazer isso, estudar mais aquilo que gostamos e deixar de lado matérias que não nos atraem muito e que geralmente são as que mais temos dificuldade). Existem livros e sites na internet que dão diversas dicas nesse sentido.

5)      Uma das lamentações que mais escuto em pessoas que estão querendo iniciar a se preparar para o concurso é a sua falta de disciplina para estudar sozinho. Alguma dica para essas pessoas?
Disciplina é algo que se adquire. Não se começa a estudar 8 ou 10 horas por dia no primeiro dia de estudo, é algo que vai gradativamente acontecendo. E apesar da possibilidade de fazer cursinho preparatório, o que adianta mesmo é sentar a bunda na cadeira e estudar. Cursinho é bom quando o professor é bom, pra tirar dúvidas, fazer um social depois de tanto tempo estudando em casa sozinho, ver como está a concorrência, atualizar conhecimento, material e pegar dicas. Eu sempre estudei sozinho, em casa mesmo, rendia melhor assim. Tem gente que consegue estudar em qualquer lugar, até na beira da praia.

6)      Por que seguir a carreira pública ao invés da privada?
No meu caso foi por admiração da carreira que escolhi, da responsabilidade e das atribuições do cargo que exerço. Considero a Receita Federal uma instituição de respeito. A remuneração também foi fator determinante. Dificilmente na carreira privada eu começaria em uma empresa com um cargo de responsabilidade equivalente e com a mesma remuneração que a de um Auditor Fiscal da RFB. O sucesso profissional na área pública depende muito mais do teu esforço pessoal e de fatores objetivos do que de indicações ou subjetividades.

7)      Quais as vantagens e desvantagens de seguir pelo caminho da carreira pública na tua visão?
A relação de trabalho é regida por lei, não há contrato de trabalho, os direitos e obrigações são mais bem definidos e, na maioria das vezes, respeitados. Todo começo de mês o pagamento é creditado na tua conta, sem falta. A estabilidade também é uma grande vantagem, te permite planejar a longo prazo com mais tranqüilidade. É claro que na iniciativa privada as possibilidades de ganhos podem ser bem maiores, mas as perdas também. Não se fica milionário no serviço público, mas se vive bem, com boa qualidade de vida. O status social que certas carreiras proporcionam também pode ser um atrativo.

8)      Existe um perfil específico de pessoas que são aprovadas em concurso?
Meus colegas de curso de formação eram maioria jovens, com menos de 30 anos. Mas havia também pessoas bem mais velhas, com mais de 50 anos. O que todos tinham em comum era a quantidade de horas de estudo, todo mundo tinha estudado muito, tinha aberto mão de muita coisa para atingir o seu objetivo. Acho que o perfil é bem variado, tem pessoas de todas as classes sociais, desde o pobre até o playboy, diversas formações profissionais, etc. As características que tinham em comum eram a persistência, determinação, disciplina, fé e vontade de passar.

9)      O que ajuda e o que atrapalha na hora da preparação para o concurso? E na hora da realização da prova?
No período de preparação para o concurso o apoio da minha família foi um dos aspectos mais importantes. A utilização de bons materiais também é crucial, e discernir que material é bom depende de boas dicas ou de tempo para tentativas, erros e acertos. Tanto no período de preparação quanto na hora de realização da prova é importante manter a calma e permanecer tranqüilo. Assim como é importante ter uma estratégia para estudo, é necessário também ter uma para a hora da realização da prova. Deve ser previamente determinado quanto tempo vai ser despendido em cada matéria da prova, para não se correr o risco de faltar tempo e não fazer os pontos mínimos necessários nela. Assim, estratégia é fundamental antes e durante as provas.

10)  O emocional conta na preparação e no dia da prova?

Sim, conta muito. Eu lembro que quando saiu o edital para o concurso da RF, veio com muitas novidades. Teve gente que estava estudando há muito tempo e mesmo assim perdeu a cabeça, achou que não seria capaz, desistiu. Lembro também, já na minha reta final de estudos, depois de estudar toda uma matéria nova, fiz uma prova simulada e só consegui fazer 50% de acertos. Aquilo me abalou de tal forma que não consegui estudar o resto do dia. Pensei, num primeiro momento: como eu fui tão mal assim num simulado logo após fechar o conteúdo dessa matéria??? Vou me ferrar no concurso!! Mas no dia seguinte recuperei o ânimo, pensei no restante das matérias, no tempo que estudei e foquei na vitória. Não seria uma matéria que me derrubaria. No final deu tudo certo, o simulado dessa tal matéria foi mais difícil que a prova do concurso, rsrsrs.

2 comentários:

  1. Que boa entrevista! O entrevistado deu excelentes dicas! E, é claro, que a chave do sucesso é estudar muito.

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  2. Faltou o entrevistado mencionar a gritante desigualdade entre órgão público e empresas privadas. Tem médico, cientista, engenheiro (dentre outros graduados) que não ganha oito mil reais por mês. Na Assembleia Legislativa do RS, por exemplo, tem gente com mísero segundo grau, ganhando até 24 mil reais. Por que? Eu gostaria de saber (...).

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